Algoritmos

GEO na prática: 10 ajustes para sua matéria virar fonte do Gemini e do ChatGPT

Com a ascensão da busca generativa, jornais precisam adaptar o conteúdo para serem citados pelas IAs, garantindo visibilidade e confiança; confira 10 ajustes práticos para otimizar matérias e conquistar espaço nas respostas automáticas.

SEO vs GEO
Ajustes para sua matéria virar fonte do Gemini e do ChatGPT Imagem: ChatGPT

Hoje, muita gente lê a resposta da IA antes de ver qualquer link. Para um portal de notícias, ser citado como fonte nessa resposta passou a ser a nova primeira página.

Quando alguém pergunta ao Gemini, ao ChatGPT ou ao AI Mode do Google o que aconteceu no Recife hoje, a resposta vem pronta, com poucas fontes ao lado. Quem aparece ali ganha o clique, a marca e a confiança do leitor. Quem não aparece some da conversa, mesmo que tenha dado a notícia primeiro.

A boa notícia: a maior parte do que faz a IA escolher uma fonte é bom jornalismo bem empacotado. Abaixo estão 10 ajustes que a redação pode aplicar já na próxima pauta.

O que é GEO (e por que não é um SEO novo)

GEO, ou Generative Engine Optimization, é preparar o conteúdo para ser escolhido e citado por buscadores com IA generativa. O próprio Google resume assim: otimizar para a busca generativa é otimizar para a experiência de busca, "e portanto ainda é SEO". Foi o que disse o primeiro guia oficial do Google Search Central sobre o tema, publicado em 15 de maio de 2026.

A diferença está no que se disputa:

 

SEO tradicional

GEO

O que se disputa

Uma posição na lista de links

Um trecho citado dentro da resposta

Unidade avaliada

A página inteira

O parágrafo que responde à pergunta

Sinal forte

Relevância e links

Clareza, fato verificável e fonte confiável

Onde se mede

Posição e cliques

Citações e menções em respostas de IA

O Google também avisa o que não precisa: arquivo llms.txt, picotar o texto em blocos artificiais ou marcação especial para IA. O que pesa mais é conteúdo único e útil, rastreável como sempre.

Os 10 ajustes: checklist para a redação

Cada item cabe na rotina de produção. Use a lista antes de publicar.

  • 1. Responda logo no primeiro parágrafo. O lide continua rei: o quê, quem, quando, onde, em 40 a 60 palavras. É esse trecho que a IA tende a recortar.
  • 2. Escreva intertítulos em forma de pergunta. Use a pergunta que o leitor faria: "Quando começa a nova tarifa do metrô?" em vez de "Mudanças".
  • 3. Faça cada bloco se sustentar sozinho. Um parágrafo lido fora da matéria precisa fazer sentido. Evite "como dito acima" e pronomes sem referência.
  • 4. Traga dado com data e fonte. "Segundo a Secretaria de Saúde, 1.240 casos até 3 de novembro" vale mais que "muitos casos".
  • 5. Cite pessoas com nome e cargo. Declaração atribuída e verificável é o tipo de trecho que a IA gosta de usar como prova.
  • 6. Afirme sem rodeio. Texto assertivo é mais citado que texto cheio de "pode ser" e "talvez". Onde houver dúvida real, diga qual é.
  • 7. Mostre a autoria. Assinatura com link para uma página do jornalista, com bio e área de cobertura. Isso reforça o E-E-A-T (experiência, especialidade, autoridade e confiança).
  • 8. Use dados estruturados. NewsArticle com autor, data de publicação e de atualização; LiveBlogPosting em coberturas ao vivo. Não substitui o conteúdo, mas ajuda a máquina a entender a página.
  • 9. Atualize de verdade e mostre a data. Matéria que evolui ganha "Atualizado às 14h32" e o fato novo no topo, não só a troca do horário.
  • 10. Aprofunde onde você é referência. Pernambuco, Recife, Nordeste: séries, explicadores e matérias de contexto em cima dos temas locais criam um acervo que a IA reconhece como fonte do assunto.

Os itens 1, 2 e 7 aparecem em todos os artigos citados num levantamento com 29 citações em AI Overviews. A amostra é pequena, mas o padrão bate com outras análises do mercado.

Como saber se a IA está citando o portal

Não existe ainda um painel único, então combine três fontes:

  1. Tráfego de referência no GA4. Filtre as visitas vindas de chatgpt.com, gemini.google.com, perplexity.ai e copilot.microsoft.com. É o sinal mais direto de que um link nosso foi mostrado e clicado.
  2. Google Search Console. Acompanhe impressões e cliques das páginas-chave e veja o que mudou depois de cada ajuste. O tráfego vindo do AI Mode e dos AI Overviews entra nos números da busca.
  3. Teste manual semanal. Monte uma lista de 20 perguntas que o leitor faria sobre os temas fortes do portal e rode no Gemini, no ChatGPT e no AI Mode. Anote quem foi citado. Em poucas semanas dá para ver a tendência.

Uma ressalva: citação costuma demorar. No levantamento da Setproduct, nenhum artigo foi citado nas primeiras semanas após a publicação; a maioria apareceu meses depois.

Erros comuns a evitar

  • Encher o texto de palavra-chave. A IA avalia se o trecho responde à pergunta, não quantas vezes o termo aparece.
  • Enrolar antes do fato. Três parágrafos de contexto antes do lide empurram a resposta para fora do alcance da IA.
  • Título isca sem entrega. Se o texto não responde o que o título promete, não há trecho para citar.
  • Trocar só a data de atualização. Atualização sem fato novo desgasta a confiança do Google e do leitor.
  • Apostar em atalhos. llms.txt, marcação "para IA" e texto picotado em blocos artificiais não são exigidos pelo Google.
  • Matéria sem assinatura. Conteúdo anônimo perde para o concorrente que mostra quem apurou.

Por onde começar

GEO não pede uma redação nova, pede hábitos novos. Um plano simples para o primeiro mês:

  1. Semana 1: levar o checklist acima para a reunião de pauta e aplicar em todas as matérias novas.
  2. Semana 2: revisar as 20 matérias de serviço mais acessadas (lide, intertítulos, data, autoria).
  3. Semana 3: conferir dados estruturados e páginas de autor com o time de tecnologia.
  4. Semana 4: rodar o primeiro teste manual de citações e comparar com o tráfego de referência das IAs.

No fim, a regra é a de sempre: quem apura melhor e explica com mais clareza vira a fonte. A diferença é que agora a máquina também está lendo.z