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Acabou a brincadeira: OneSignal passa a cobrar apps com mais de 1.000 usuários ativos

Mudança no plano gratuito passou a valer em 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno. Sem margem para trocar de fornecedor em plena cobertura eleitoral, veículos de comunicação recorreram ao cartão corporativo. Veja o que fazer agora e quais caminhos avaliar depois das eleições.

Planos do OneSignal
A partir de 1 de outubro o OneSignal mudou a sua forma de fazer cobrança imagem: onesignal.com

Durante anos, o OneSignal foi a resposta automática para quem precisava enviar notificações push sem gastar nada. O plano gratuito aceitava um número ilimitado de usuárisos em aplicativos, e por isso a ferramenta se espalhou por apps de jornais, rádios, TVs e portais de todos os tamanhos.

Essa fase acabou. Desde 1º de outubro de 2026, contas gratuitas com mais de 1.000 usuários ativos mensais (MAU) deixam de enviar push e mensagens in-app em aplicativos até que façam o upgrade para um plano pago.

O que mudou

A empresa anunciou a alteração em 1º de setembro. Os pontos principais:

  • Limite de 1.000 MAU no plano gratuito para push em aplicativos e mensagens in-app.
  • Vale por organização, e não por aplicativo. Quem tem mais de um app na mesma conta soma todos.
  • Novas contas já nasceram com o limite em 1º de setembro. Contas existentes entraram na regra em 1º de outubro.
  • Quem ultrapassa o limite recebe avisos em 75%, 90% e 100% e tem 24 horas para fazer o upgrade antes de os envios serem pausados.
  • Web push e e-mail não foram afetados e seguem com os limites anteriores.

Há um detalhe que pesa para veículos de comunicação. O usuário ativo é contado pelo aparelho que abriu o aplicativo nos últimos 30 dias, tenha ele aceitado receber notificações ou não. Um app de notícias com muito leitor casual paga também por quem nunca ativou o push.

Quanto custa

O plano Growth tem mensalidade de US$ 19 mais US$ 0,012 por usuário ativo em aplicativos.

Usuários ativos (MAU)Custo mensal estimado
10 milUS$ 139
50 milUS$ 619
100 milUS$ 1.219
200 milUS$ 2.419
500 milUS$ 6.019

Acima de 50 mil usuários, o OneSignal informa que é possível negociar preço por volume em contrato anual.

O pior momento possível

Para o mercado brasileiro, o calendário não poderia ser mais ingrato. O limite passou a valer para contas antigas na quinta-feira, 1º de outubro. O primeiro turno das eleições é no domingo, 4 de outubro.

É justamente na semana da votação que o push mais importa para uma redação: pesquisas, debates, apuração em tempo real, resultado. Ficar sem o canal nesses dias não era uma opção.

O aviso existiu, com 30 dias de antecedência. Mas 30 dias, na reta final de uma campanha eleitoral, é pouco para quem tem equipe enxuta de produto e tecnologia. Muitos veículos só se deram conta quando o alerta apareceu no painel. Diante do prazo de 24 horas para evitar a pausa, restou a saída mais rápida: cadastrar o cartão de crédito corporativo e seguir em frente.

Por que não dava para fazer outra coisa

Três razões explicam por que a manobra de troca era inviável naquele momento.

O legado de usuários. Sair do OneSignal exige publicar uma nova versão do aplicativo, e nem todo mundo atualiza no mesmo dia. Uma parte da base ficaria sem receber alertas.

A janela de 30 dias. A contagem de usuários ativos usa os últimos 30 dias. Mesmo que o veículo reduzisse a base, levaria cerca de um mês para voltar a ficar abaixo do limite.

O risco operacional. Trocar um sistema crítico às vésperas da noite de apuração é o tipo de mudança que nenhuma equipe de tecnologia recomenda. Um erro custaria muito mais do que a fatura.

Pagar foi a decisão certa. O erro seria continuar pagando por inércia.

O que fazer até o fim do segundo turno

O segundo turno está marcado para 25 de outubro. Até lá, a orientação é não mexer na estrutura de envio e cuidar apenas do que não oferece risco:

  • Fique no plano mensal. Não assine contrato anual sob pressão.
  • Acompanhe o consumo. Confira no painel quantos usuários ativos estão sendo contados e projete a fatura.
  • Revise a organização. Aplicativos antigos, de teste ou de homologação na mesma conta entram na soma.
  • Exporte a base. O OneSignal permite exportar os registros de inscrição, incluindo os tokens de push. Ter essa cópia é o primeiro passo de qualquer plano futuro.
  • Avise o financeiro. A cobrança é em dólar e varia conforme a audiência, que tende a subir em período eleitoral.

Os caminhos para depois das eleições

Passada a apuração, há três rotas possíveis.

1. Ficar e reduzir a conta

Para quem está satisfeito com a ferramenta, dá para pagar menos. A documentação do OneSignal indica o uso dos métodos de privacidade do SDK para adiar a inicialização até que ela seja necessária. Na prática, isso evita contar como ativo quem abre o app sem ter aceitado notificações. A alteração exige uma atualização do aplicativo. Para bases acima de 50 mil usuários, vale também abrir negociação de preço por volume.

2. Migrar para uma infraestrutura gratuita

É a opção mais barata. O Firebase Cloud Messaging (FCM), do Google, envia notificações para Android e iOS sem custo e sem limite de usuários. O OneSignal, aliás, já entrega as mensagens por meio do FCM e do serviço da Apple, usando as credenciais do próprio veículo. Os tokens são seus.

O que se perde é a camada de gestão: painel amigável para o editor, segmentação avançada, automações e testes. Para uma redação que basicamente dispara alertas por editoria, os tópicos do FCM resolvem boa parte do trabalho, mas alguém precisa construir a integração com o CMS ou um painel simples de envio.

3. Migrar para outra plataforma

É o meio-termo: paga-se menos, ou paga-se de outro jeito, mantendo um painel pronto. A lista de alternativas está mais abaixo.

Como migrar com segurança

A troca pode ser feita sem perder a base, desde que em fases e fora de períodos críticos de notícia.

  1. Exporte os tokens do OneSignal e guarde a cópia.
  2. Escolha o destino e confirme se ele aceita importar tokens existentes. Algumas plataformas aceitam, outras só registram o usuário depois que ele atualiza o app.
  3. Publique uma nova versão do aplicativo com o novo sistema de envio.
  4. Rode os dois em paralelo. Quem atualizou recebe pelo novo. Quem ainda está na versão antiga continua recebendo pelo OneSignal.
  5. Evite o alerta em dobro. Garanta que o mesmo aparelho não esteja nas duas listas.
  6. Leve as preferências junto. Editorias e temas que o leitor escolheu precisam existir no novo sistema.
  7. Acompanhe a adoção. À medida que a base atualiza, a contagem no OneSignal cai, e a fatura cai junto.
  8. Desligue quando a versão antiga representar uma parcela pequena da audiência.

O processo costuma levar algumas semanas, e o ritmo depende de quão rápido os leitores atualizam o aplicativo.

10 alternativas ao OneSignal para apps de veículos de comunicação

Infraestrutura: custo baixo, exige desenvolvimento

1. Firebase Cloud Messaging (Google). Gratuito e sem limite de usuários, para Android e iOS. Os tópicos funcionam bem para alertas por editoria. Não tem painel de marketing nem automações.

2. Amazon SNS (AWS). Serviço de mensageria da Amazon, cobrado por volume de envios. Faz sentido para veículos que já têm a infraestrutura na AWS.

3. Azure Notification Hubs (Microsoft). Equivalente da Microsoft, com envio em massa e segmentação por tags. Indicado para quem já usa Azure.

4. Expo Push Notifications. Serviço gratuito para aplicativos construídos com Expo e React Native. Simples de implementar se o app já usa essa tecnologia.

5. Novu. Plataforma de código aberto que pode ser hospedada pelo próprio veículo. Dá controle total sobre os dados, mas a equipe passa a ser responsável por manter o serviço no ar.

Plataformas com painel pronto

6. Pushwoosh. Concorrente direto, também cobra por usuário ativo, com os primeiros 1.000 gratuitos. A empresa informa preço de US$ 7 por 1.000 MAU no plano só de push, contra US$ 12 do OneSignal.

7. PushEngage. Mais conhecida pelo web push, também atende aplicativos e tem roteiro documentado de migração de assinantes do OneSignal. Os planos são por faixa de assinantes, com entrada na casa de dezenas de dólares.

8. Pushly. Plataforma criada com foco em publishers, com recursos pensados para redações. Preço sob consulta.

9. Airship. Uma das mais tradicionais do mercado e com longa presença em veículos de notícia. É solução de porte enterprise, com preço sob consulta.

10. Batch. Empresa francesa de engajamento, com atuação entre grupos de mídia europeus. Também trabalha com preço sob consulta.

Suítes como Braze, CleverTap e MoEngage também fazem push, mas são plataformas completas de relacionamento com o cliente. Para um veículo que só precisa disparar alertas, costumam ser grandes e caras demais.

Como escolher

Antes de assinar com qualquer fornecedor, vale levar estas perguntas para a reunião:

  • Como é a cobrança? Por usuário ativo, por assinante de push ou por mensagem enviada? Redação envia muito. Modelos por mensagem tendem a sair caros, e modelos por usuário ativo cobram também por quem não recebe push.
  • Aguenta o pico? Em notícia urgente, o alerta precisa chegar a toda a base em segundos.
  • O editor consegue usar? O painel precisa ser simples o bastante para o plantão.
  • Integra com o CMS? O ideal é disparar o push de dentro do sistema de publicação.
  • Aceita importar tokens? Isso define se a migração será suave ou lenta.
  • Onde ficam os dados? A resposta precisa ser compatível com a LGPD.
  • Como é a saída? Depois dessa semana, vale perguntar antes de entrar.

A lição que fica

O caso lembra uma regra antiga do mercado digital: quando a ferramenta é gratuita, a conta chega em algum momento, e quem define a data é o fornecedor. O OneSignal tem o direito de cobrar pelo serviço que presta. O problema está em quem montou uma operação crítica sobre um plano gratuito sem ter um plano B.

O push é hoje um dos poucos canais diretos entre o veículo e o leitor, em um cenário de queda no tráfego de busca e de redes sociais. Tratá-lo como infraestrutura estratégica, com orçamento, contrato e rota de saída, deixou de ser opcional.