Google só pensa nele mesmo: ex-Googler expõe verdade incômoda
Enquanto a empresa diz valorizar a web aberta, ex-funcionário revela que direcionar tráfego para editores é visto internamente como um “mal necessário”

O Google sempre sustentou que apoia um ecossistema digital aberto, permitindo que editores prosperem. Porém, isso foi contestado por um ex-funcionário da empresa, que revelou que, nos bastidores, o tráfego enviado para sites de terceiros é tratado como uma concessão estratégica — algo que a empresa faz por obrigação, não por princípio.
Essa declaração contrasta com o que um atual funcionário do Google afirmou recentemente no evento Search Central Live, em Nova York. As informações foram repercutidas pelo Search Engine Journal.
Segundo a própria publicação, o ex-Googler afirma que o CEO da companhia, Sundar Pichai, estaria comprometido com o fortalecimento da web aberta.
Mas, diante da crescente adoção da inteligência artificial na busca — assunto que já falamos aqui —, o Google parece estar cada vez mais interessado em manter os usuários dentro de seu próprio ecossistema.
A transformação da busca: IA no comando
Desde 2021, a vice-presidente de Pesquisa do Google, Elizabeth Reid, tem sido uma das principais responsáveis pela reformulação do mecanismo de busca, especialmente com a introdução das AI Overviews.
Seu histórico no Google Maps influenciou sua abordagem, que enfatiza o uso da tecnologia para moldar a experiência do usuário — mesmo que isso signifique impor mudanças drásticas na forma como a busca tradicional funciona.
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Ela acredita que a busca precisa se adaptar ao comportamento dos usuários, e não o contrário. A IA generativa faz parte dessa evolução, criando uma experiência mais interativa e multimodal.
Segundo Reid, o Google está deixando de ser apenas um motor de busca para se tornar uma presença constante e onipresente na navegação digital.
De fato, a pesquisa tradicional já não é mais o foco da empresa. Em uma mudança estratégica, 20% dos engenheiros da divisão de busca migraram para projetos de IA generativa.
Reid prevê que a clássica barra de pesquisa perderá protagonismo, sendo gradualmente substituída por interações baseadas em voz e imagem.
Mas, ao mesmo tempo, ela garante que a barra de busca não desaparecerá tão cedo.
Seu objetivo é transformar o Google em algo tão integrado ao dia a dia digital que os usuários o utilizem naturalmente, como fariam ao perguntar algo a um amigo.
A Web como colateral
Apesar de toda essa inovação, os editores de conteúdo continuam se perguntando onde eles se encaixam nesse novo cenário.
Ainda de acordo com o ex-Googler, o tráfego direcionado para sites de terceiros não é prioridade dentro da empresa.
"Levar tráfego para sites de editores é tratado como um mal necessário. O objetivo principal do Google é manter as pessoas dentro dos seus próprios serviços", afirmou o ex-executivo.
Essa postura cria uma tensão crescente com a comunidade de criadores de conteúdo, que há anos dependem do Google como principal fonte de tráfego.
Se a plataforma está empenhada em manter os usuários dentro de seu próprio domínio, onde isso deixa os sites de notícias, blogs e outros produtores de conteúdo?
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O que diz o Google
Apesar dessas declarações anônimas, alguns Googlers tentam defender a empresa. Ao Search Engine Journal, um funcionário garantiu que Pichai leva a sério sua relação com os editores.
A mesma visão foi expressa publicamente por Elizabeth Reid, que afirmou que os AI Overviews incentivam mais pesquisas na web aberta.
Já Pichai destacou que o foco do Google não é apenas enviar tráfego, mas garantir que ele seja de "alta qualidade", direcionando usuários para páginas realmente relevantes.
"Nosso objetivo principal é aprimorar o produto sem prejudicar o ecossistema digital", declarou Pichai.
Essa afirmação, no entanto, não acalma os ânimos dos editores que viram seu tráfego despencar nos últimos anos.
Um jogo assimétrico
Fato é que o Google está reconfigurando sua busca para atender a um novo paradigma impulsionado pela IA.
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As mudanças não são apenas resultado de diretrizes impostas, mas sim de uma resposta ao comportamento dos usuários — e, indiretamente, à concorrência com a OpenAI e seu ChatGPT.
A busca tradicional está se tornando apenas uma das várias formas de interação com o Google. Voz, pesquisa visual e IA generativa estão cada vez mais integradas, reduzindo a necessidade de os usuários clicarem em sites externos.
O que não significa, claro, que o SEO vai desaparecer: na verdade, ele já está mudando.
O Google continua afirmando que valoriza a web aberta, mas suas ações mostram que a empresa está, acima de tudo, focada em manter os usuários dentro do seu próprio ambiente.
Para editores e profissionais de SEO, essa mudança exige uma adaptação urgente.
O futuro não será mais apenas sobre otimizar páginas para os mecanismos de busca — será, muito mais, sobre garantir que seu conteúdo continue existindo nesse novo cenário dominado pela IA.