Como a pesquisa por IA pode afetar o futuro do SEO?

O setor de marketing digital passa por uma revolução sem precedentes, impulsionada pela ascensão da Inteligência Artificial Generativa, ou simplesmente IA.
Com a popularização das buscas baseadas em IA, cresce o debate sobre o futuro do SEO e sua relevância no cenário atual.
O encerramento de uma escola de SEO e o que isso significa
Recentemente, a escola de SEO do grupo Authority Hackers anunciou seu fechamento, enfatizando que a decisão não se deve ao fim do SEO em si, mas sim ao colapso do modelo tradicional de sites baseados em conteúdo.
Três razões foram apontadas para essa mudança drástica. Embora este texto não trate especificamente sobre o fechamento da escola, essa decisão serve como um reflexo das transformações profundas que o setor enfrenta atualmente.
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1. As atualizações do Google e seu impacto no SEO
As constantes atualizações do Google são um dos principais fatores que vêm impactando o modelo convencional de sites de conteúdo.
Eis um ponto crítico: se um site sofre quedas significativas de tráfego após essas mudanças, isso indica que há algo na estratégia de SEO que precisa ser revisto.
A realidade é que, ao longo do último ano, sites que priorizam os mecanismos de busca em detrimento da experiência do usuário foram severamente afetados.
Isso acontece quando a abordagem é ultrapassada: não corresponde a uma pesquisa voltada para o público, mas sim para os mecanismos de busca.
O resultado? Sites criados exclusivamente para os algoritmos e não para os usuários.
Embora essa abordagem não seja a única razão para a perda de posicionamento de muitos sites, ela se tornou comum a ponto de ser necessária uma reavaliação profunda. Os dados deixam claro:
- O excesso de otimização compromete a experiência do usuário.
- Sites que insistem nesse modelo estão sendo penalizados nos rankings.
2. O papel da IA na criação de conteúdo
Outro fator apontado pela escola de SEO para a crise no setor é a explosão da produção de conteúdo gerado por inteligência artificial. Mas o que isso realmente significa?
- Estaria o Google lutando para lidar com o grande volume de material automatizado? No final de 2023 e início de 2024, houve um aumento expressivo desse tipo de conteúdo.
- Ou será que a questão envolve a saturação do mercado, dificultando que criadores de conteúdo humano consigam se destacar?
A verdade é que a inteligência artificial está alterando a dinâmica de produção e distribuição de conteúdo, o que afeta diretamente a autoridade dos sites e a forma como as informações são consumidas pelos usuários.
3. As transformações radicais nas SERPs
A terceira grande mudança no cenário do SEO diz respeito às drásticas transformações nas Páginas de Resultados dos Motores de Busca (SERPs). Este é um ponto crucial, embora muitas análises não abordem sua real dimensão.
Por mais de duas décadas, os três primeiros resultados de busca concentraram a maior parte do tráfego orgânico, com cerca de 20 a 30% das visitas desviadas para os anúncios pagos do Google.
Esse modelo sempre favoreceu poucos sites, enquanto a maioria das páginas lutava para conquistar relevância.
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Com o advento do AI Overviews, esse padrão se manteve. Pesquisas da BrightEdge indicam que os sites mais bem posicionados nos resumos gerados por IA são, em grande parte, os mesmos que já ocupavam as primeiras posições nos resultados orgânicos. Ou seja, o domínio dos grandes players do mercado segue inalterado.
Contudo, uma mudança significativa está sendo subestimada: os sites criados exclusivamente para atender aos algoritmos estão desaparecendo das SERPs.
O Google vem priorizando cada vez mais sinais que indicam conteúdos voltados para as pessoas, além de incorporar novas métricas de qualidade que influenciam diretamente o ranqueamento.
Mudanças são a única constante no SEO
Ao longo dos últimos 20 anos, qualquer alteração significativa no ranking de um site raramente pode ser atribuída a um único fator.
Em muitos casos, a simples melhora de um concorrente já é suficiente para deslocar outro site para posições inferiores.
Para aqueles que atuam na área há menos de uma década, as recentes mudanças podem parecer drásticas. Entretanto, quem acompanha o SEO há mais tempo entende que essas reestruturações são frequentes e inevitáveis. Transformações radicais sempre fizeram parte do jogo.
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Aqui estão alguns marcos que ilustram isso:
Google Medic Update (2018)
Essa atualização alterou profundamente a forma como o Google compreende as intenções de busca, priorizando conteúdos de alta credibilidade em áreas como saúde e finanças.
Google Penguin Update (2012)
O Penguin revolucionou o SEO ao penalizar o uso de técnicas manipulativas de link building, eliminando milhares de sites de baixa qualidade.
Google Florida Update (2003)
Uma das atualizações mais impactantes da história, redefiniu os critérios de ranqueamento e prejudicou inúmeros sites que seguiam práticas consideradas legítimas até então.
O ponto central é que, para profissionais experientes, mudanças drásticas no SEO não são uma novidade — elas são a norma.
A ascensão do AEO: o SEO está evoluindo?
Recentemente, uma discussão tomou conta da comunidade de marketing digital: o Answer Engine Optimization (AEO) seria o novo SEO?
O conceito de AEO sugere a otimização para motores de resposta baseados em inteligência artificial, como o ChatGPT. Porém, há um equívoco nessa abordagem.
Todos os buscadores de IA utilizam índices tradicionais e algoritmos clássicos de ranqueamento. Um exemplo claro é a Perplexity AI, que emprega uma versão adaptada do PageRank — um dos modelos mais antigos desenvolvidos pelo Google.
Dentro da comunidade de SEO, a maioria dos especialistas concorda que:
- O AEO, como conceito isolado, ainda não representa uma grande mudança no cenário do marketing digital.
- Os buscadores de IA ainda não ameaçam significativamente a dominância do Google.
- O SEO tradicional continua relevante, desde que adaptado às novas demandas dos algoritmos.
Em discussões recentes, muitos apontaram que o ChatGPT ainda usa o índice do Bing.
Isso significa que, ao tentar otimizar conteúdo para esse sistema, na prática, estamos apenas aplicando estratégias convencionais de SEO para o Bing.
Além disso, a maioria dos usuários ainda não está familiarizada com essas ferramentas de busca baseadas em IA. Até que elas sejam amplamente integradas a navegadores populares, sua influência seguirá limitada a nichos específicos.
Fato é que o uso de inteligência artificial nos mecanismos de busca não é uma novidade. O Google já emprega IA há mais de uma década e tecnologias como trechos em destaque existem há anos.
O que mudou foi a maneira como os usuários interagem com os resultados.
O verdadeiro desafio para os profissionais de SEO não é a extinção da prática, mas sim a adaptação às novas dinâmicas do comportamento do usuário. O futuro do marketing digital não está em “vencer o algoritmo”, mas em criar conteúdos que entreguem real valor ao público-alvo.