A uma semana do segundo turno de 25 de outubro, a maior ameaça digital à eleição não é um conteúdo novo, mas o tempo. Uma deepfake publicada na véspera pode alcançar milhões de eleitores antes de qualquer ordem judicial, alerta o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques.
Por isso, o Tribunal criou uma janela de bloqueio: no 2º turno, fica vedado publicar, republicar ou impulsionar novo conteúdo feito com IA de 22 a 26 de outubro. A seguir, o que é proibido, como as plataformas rotulam esse material e o que muda para quem vive de busca e conteúdo.
O que o TSE proíbe em 2026
Usar IA na campanha é permitido; o que é proibido é a deepfake e o conteúdo sintético sem rótulo. As regras estão na Resolução TSE 23.755/2026, aprovada em março, que atualizou a 23.610/2019.
Regra | O que determina |
|---|---|
Rótulo obrigatório | Propaganda feita ou alterada por IA deve avisar, de forma explícita e acessível, que foi fabricada ou manipulada e com qual tecnologia |
Remoção imediata | Conteúdo sintético sem rótulo deve ser tirado do ar pelas plataformas |
Janela de bloqueio | Nada de IA nova nas 72 horas antes e 24 horas depois da votação, mesmo rotulada; no 2º turno, de 22 a 26 de outubro |
Chatbots | Sistemas de IA não podem recomendar nem ranquear candidatos, mesmo a pedido do usuário |
Violência política | Vedadas montagens com nudez ou pornografia envolvendo candidatas |
Em 1º de setembro, o TSE fixou o que conta como deepfake: conteúdo de IA com realismo capaz de alterar imagem, voz ou fala de pessoa viva, morta ou fictícia. Memes, caricaturas e animações obviamente artificiais ficam fora. A proibição também só vale quando o conteúdo é propaganda eleitoral.
A regra já está sendo aplicada no 2º turno. Nesta semana, o ministro Marco Aurélio Bellizze mandou remover em 24 horas um vídeo pró-Lula feito com IA sem identificação de conteúdo sintético, a pedido de Flávio Bolsonaro.
Como as big techs rotulam conteúdo de IA
Cada plataforma entregou ao TSE um plano de conformidade, e o rótulo de IA é a peça comum a todos. O que muda é quem aplica o rótulo e o que acontece com o post sem ele.
Plataforma | Como sinaliza IA | Sem rótulo ou duvidoso |
|---|---|---|
Google e YouTube | Marca d'água SynthID; o usuário pergunta "Isso foi feito com IA?" no Gemini, na Busca ou no Chrome | Buscas sobre como votar trazem dados do TSE; anúncios eleitorais seguem vetados |
Meta (Instagram, Facebook, WhatsApp) | Rótulo "Informação de IA"; no WhatsApp, metadados identificam conteúdo gerado ou editado | Rótulos de contexto, alcance reduzido e checagem por parceiros |
TikTok | Criador deve rotular; mais de 3 bilhões de vídeos já receberam o aviso | Vídeo não verificado sai do feed "Para Você"; violou regra, é removido |
O sistema ainda vaza. Um levantamento da Aos Fatos achou vídeos de "eleitores" gerados por IA com 7,4 milhões de views no TikTok, 18% sem qualquer aviso. Em 15 de outubro, o TSE chamou a Meta para discutir o mau uso de IA na reta final, e a empresa disse que as duas campanhas foram atingidas por conteúdos inadequados.
O que muda para SEO e publishers
Na reta final, a busca privilegia fonte oficial e conteúdo verificável, e quem cobre eleição disputa espaço com o próprio TSE no topo da SERP. O Google exibe dados do Tribunal para buscas sobre como e onde votar e respostas de IA baseadas em fontes autoritativas no Modo IA. Com AI Overviews já associados a queda de 35% no CTR no Brasil, segundo dados da Conversion, ser citado vale tanto quanto ranquear.
Boas práticas para a cobertura até o dia 25:
- Verifique antes de embedar. Um vídeo viral incorporado sem contexto amplia o alcance de uma possível deepfake e mina a confiança no seu domínio.
- Rotule a sua própria IA. Imagem ilustrativa gerada por IA leva legenda clara, mesmo fora da propaganda eleitoral.
- Publique o "como checamos". Mostre a origem do arquivo, o teste feito e a resposta da campanha; é o tipo de conteúdo original que modelos de IA citam.
- Mantenha um live blog atualizado. Uma URL forte, com horário em cada atualização, concentra sinais em vez de dispersar em várias notas curtas.
- Cuidado com o título. "Vídeo mostra candidato dizendo X" repete a mentira no snippet; prefira "Vídeo de candidato dizendo X é falso".
- Planeje a janela de 22 a 26. Deixe explicadores e checagens prontos antes do bloqueio, quando o volume de busca por "é verdade" tende a subir.
Como checar e onde denunciar
Desconfie primeiro do contexto, depois da imagem: nem todo vídeo com IA é falso, e uma foto verdadeira pode circular com legenda mentirosa.
- Olhe a boca. Peritos sugerem observar se os lábios se fecham direito em sons como B, M e P.
- Pergunte à ferramenta. Conteúdo feito com IA do Google pode ser checado perguntando "Isso foi feito com IA?" no Gemini, na Busca ou no Chrome.
- Procure o rótulo. Propaganda legítima com IA precisa trazer aviso visível; ausência de rótulo já é irregularidade.
Canal | Quando usar |
|---|---|
Pardal | Propaganda de candidato sem identificação, vídeo enganoso, deepfake; login com Gov.br ou e-Título |
Siade | Desinformação sobre urnas e o processo eleitoral; denúncia anônima |
A própria rede | Menu de três pontos no post, opção Denunciar, motivo da infração |
Pacote de SEO para publicar
Item | Sugestão |
|---|---|
Título SEO (até 60 caracteres) | Deepfake no 2º turno: regras do TSE e rótulos das big techs |
Meta description | Janela de bloqueio de 22 a 26/10, o que o TSE considera deepfake, como Google, Meta e TikTok rotulam IA e onde denunciar. |
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Palavra-chave principal | deepfake segundo turno |
Secundárias | regras TSE inteligência artificial; o que é deepfake TSE; rótulo IA Instagram; como denunciar deepfake; Pardal denúncia |
Links internos | Pautas do SEOlab sobre AI Overviews, Modo IA e tráfego de publishers |
Atualize o texto no dia 26 com o balanço de remoções do TSE: a mesma URL ganha uma segunda vida no pós-eleição.

