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SEO no período eleitoral: guia do Google Trends para jornalistas

Google Trends é ferramenta-chave para jornalistas acompanharem dúvidas e tendências nas Eleições 2026, ajudando a produzir conteúdo útil e confiável para o eleitor, sem confundir busca com intenção de voto.

Imagem ilustrativa de uma redação jornalística
Guia para explorar o Google Trends durante o período eleitoral. Gemini

O Google Trends mostra o que o público está perguntando ao Google, e nenhum período gera tantas perguntas quanto a reta final de uma eleição. O primeiro turno das Eleições 2026 é em 4 de outubro, das 8h às 17h (horário de Brasília), e o eventual segundo turno, em 25 de outubro, segundo o calendário do TSE.

Exemplo de pesquisa de interessa pelo termo "Candidatos 2026" Crédito: Google Trends

Nessas semanas, a busca vira termômetro de dúvidas práticas: onde votar, o que levar, como justificar, o que é verdade em um boato. Quem entende esse fluxo produz conteúdo de serviço que o leitor encontra na hora certa. Isso é SEO no sentido mais útil para o jornalismo: responder bem a quem está procurando.

O guia parte da live "Google Trends para jornalistas", do programa de formação da Google News Initiative, apresentada por Gabriela César, jornalista do time de Trends. Os exemplos da live eram sobre a Copa do Mundo; aqui eles aparecem ao lado de casos de cobertura eleitoral, saúde, economia e jornalismo local, além de outras fontes para cruzar os dados.

Exemplo de interesse pelo nome de 4 candidatos (importante: não é intensão de voto) Crédito: Google Trends

 

Um aviso que vale para o texto todo: interesse de busca não é intenção de voto, não é aprovação e não é pesquisa eleitoral. Os exemplos eleitorais deste guia tratam de serviço ao eleitor, checagem e processo eleitoral, nunca de promover ou prejudicar candidatos, partidos ou ideologias.

O que o Google Trends mede (e o que não mede)

O Trends mede o que as pessoas digitam na caixa de busca, não o que aparece nos resultados. Existe desde 2007, com dados a partir de 2004, e cobre Pesquisa na Web, YouTube, Google Notícias, Google Shopping e Imagens.

Recorte do vídeo sobre Google Trends Youtube

 

Conceito

O que significa

Consequência para a reportagem

Amostra

Os dados vêm de uma amostra das buscas, representativa pelo volume de bilhões de consultas por dia

Uma consulta refeita pode variar um pouco; registre data e hora

Anonimato

Dados agregados por país, estado e algumas cidades; ninguém é identificado

Não há como saber quem buscou, só onde e quando

Índice 0 a 100

Na aba Explorar, 100 é o pico de interesse no recorte escolhido; 0 indica volume baixo demais

Compare proporções, nunca trate o índice como número de buscas

Normalização

Cada ponto é dividido pelo total de buscas da região e do período

Dá para comparar Acre com São Paulo, ou 2014 com 2026

Filtros

Buscas repetidas do mesmo usuário em pouco tempo e consultas com caracteres especiais são removidas

Picos isolados e pequenos podem ser ruído estatístico

A Central de Ajuda do Trends é explícita: os dados não são científicos e não substituem pesquisas de opinião. O Trends também não traz menções em redes sociais nem dados de venda. Ele capta o reflexo desses fenômenos quando as pessoas vão ao Google entender o que viram.

Termo de pesquisa x assunto

Esta é a distinção que mais evita erros. O termo de pesquisa é literalmente o que foi digitado, no idioma digitado. O assunto (tópico) agrupa termos que se referem ao mesmo conceito em qualquer idioma, segundo a documentação do Google.

  • Erro clássico: comparar o interesse mundial por "Copa do Mundo" como termo. O mapa mostra Brasil, Portugal, Angola e Moçambique, porque só lusófonos digitam isso. Com o assunto Copa do Mundo, na live, a Argentina aparecia em 1º e o Brasil em 12º.
  • Palavras ambíguas: "planta" pode ser vegetal, projeto arquitetônico ou parte do pé. "Apple" no Brasil quase sempre é a empresa. O assunto separa os sentidos.
  • Nomes únicos: para Neymar ou Bobbie Goods, o termo pode captar até mais dados que o assunto. Teste os dois lado a lado e escolha o que faz sentido.
  • Homônimos: para pessoas conhecidas só pelo prenome, digite o nome completo; o Trends costuma sugerir o assunto certo ("Pedro – jogador do Flamengo"). Isso vale para candidatos com nomes comuns ou nomes de urna diferentes do nome civil.

Aba Em alta: o radar do que está acontecendo agora

A aba Em alta mostra volumes brutos ("mais de 100 mil pesquisas") das buscas que estão crescendo nas últimas 4, 24 ou 48 horas ou nos últimos 7 dias, com atualização média a cada 10 minutos, segundo a Ajuda do Trends. É a aba para a reunião de pauta e para o plantoão.

Filtros que valem ouro:

  • Estado: a versão atual permite ver o que bombou no Ceará, no Acre ou no Rio de Janeiro, não só no Brasil inteiro. Essencial para veículos regionais e para eleições estaduais.
  • Categoria: futebol domina a lista geral. Quem cobre política aplica o filtro Política (ou Saúde, Economia, Clima) e enxerga o que estava escondido.
  • Tendências ativas: mostra só o que ainda está quente. Um assunto que já esfriou pode render análise, mas não serviço.
  • Ordenação: por relevância, volume de pesquisa ou por início (as mais recentes, de minutos atrás).
  • Lupa: procura um nome dentro da lista, para checar se aquilo que a redação acha importante está mesmo em alta.

Ao clicar numa tendência, um painel lateral mostra as buscas que a compõem e as notícias relacionadas. É ali que o "porquê" aparece.

Exemplos da live e como traduzi-los:

  • Em maio, "pré-lista seleção brasileira" liderava com 100 mil+ buscas. O painel revelava as dúvidas: nomes de jogadores, "Neymar foi convocado?". Na eleição, a lógica é a mesma para "resultado do debate", "horário de votação" ou "local de votação".
  • Com filtro Saúde, apareceu o termo genérico "morto". O painel mostrou a ligação com a primeira morte por hantavírus confirmada. Termo vago + painel = pauta.
  • Em Esportes, apareceu Bia Haddad Maia "há 20 minutos", porque ela estava em quadra. Ordenar por início pega o fato ainda em curso.

Da lista para a análise: marque duas ou mais tendências (até cinco) e clique em Comparar. O Trends leva você à aba Explorar já com a comparação montada.

Exportação: copie, baixe em CSV ou assine o feed RSS do recorte filtrado. Um feed RSS de "Brasil + Política" num leitor de feeds vira um alerta passivo para a mesa de política.

Detalhe técnico: o gráfico da aba Em alta usa correspondência exata; a aba Explorar usa correspondência ampla. Por isso os números de uma e outra não batem, e não precisam bater.

Aba Explorar: onde a pauta ganha números

Na aba Explorar você escolhe o tema, o lugar, o período (de 2004 até a última hora) e a fonte, e recebe o índice de 0 a 100. É a aba que sustenta frases como "o interesse triplicou" ou "o estado com mais buscas foi".

Aba "Explorar" do Google Trends Youtube

1. Comparar até cinco termos (ou oito, na interface com Gemini)

O índice permite proporções. Na live, nos últimos 7 dias no Brasil, a seleção brasileira teve cerca de 20 vezes mais buscas que a argentina. Se um termo tem índice 16 e outro 8, o primeiro teve o dobro do interesse; se é 9 contra 8, o interesse é praticamente o mesmo.

  • Saúde: hantavírus x dengue x influenza.
  • Economia: "imposto de renda" x "13º salário" x "saque FGTS" ao longo do ano.
  • Serviço eleitoral: "local de votação" x "justificativa de voto" x "e-Título" nas últimas semanas.

2. Comparar o mesmo tema em lugares diferentes

Use o mesmo termo várias vezes e mude só o local de cada linha. Na live, o assunto Copa do Mundo teve índice 29 no México, 9 nos EUA e cerca de metade do mexicano no Canadá: "interesse três vezes maior no México que nos EUA". Com estados, dá para comparar o interesse por "segundo turno" em unidades da federação com e sem disputa para governador.

3. Comparar o mesmo tema em períodos diferentes

Mesma lógica, mudando só a data de cada linha. A Copa de 2022 teve índice 8 no Brasil contra 3 da de 2018; todos os estados buscaram mais em 2022. Para eleições, compare "como justificar voto" em outubro de 2018, 2022 e 2026, ou "urna eletrônica" nos meses finais de cada pleito. Como os dados são normalizados, a comparação com 2014 continua válida mesmo com mais gente conectada hoje.

4. Série histórica e sazonalidade

O gráfico de linha mostra quando o interesse começou, quando bateu recorde e se já caiu. O Labubu subiu em abril de 2025, teve pico em julho e caiu depois. Eventos cíclicos se repetem: material escolar em janeiro, IPVA e imposto de renda no primeiro trimestre, sopa e casaco no frio, e "título de eleitor" antes do fechamento do cadastro (em 2026, em 6 de maio) a cada dois anos. Pautas de serviço podem ser planejadas antes do pico.

5. Sub-região: país, estado, cidade

O mapa ranqueia regiões por proporção de buscas. O Labubu era global (Hong Kong, Irã, Suécia; o Brasil ficou em 44º); Bobbie Goods foi um fenômeno brasileiro, assim como beach tennis e whey. Dentro de um estado, há uma tabela por município, geralmente os mais populosos. Cidades pequenas podem não aparecer por falta de volume.

6. Consultas e assuntos relacionados

Abaixo do gráfico ficam dois rankings: Principais (o mais buscado junto do tema) e Em ascensão (o que mais cresceu). "Aumento repentino" (breakout) indica crescimento acima de 5.000%, típico de algo novo, como "álbum da Copa 2026" em maio. É a lista que mais rende perguntas para responder em texto.

7. Fonte dos dados

Troque Pesquisa na Web por Pesquisa do YouTube, Google Notícias, Shopping ou Imagens. Gabriela diz usar mais Web e YouTube no trabalho jornalístico. O YouTube é útil para acompanhar interesse por debates, entrevistas e vídeos explicativos.

8. O truque do termo aberto

Digite só "o que", "significado", "é verdade" ou "meme", no Brasil, nos últimos 7 dias, e veja as consultas em ascensão. Na live apareceram "o que aconteceu com a Ypê", "o que é hantavírus" e "o que é taxa de rolha". É um jeito de achar o que está fora do radar da redação. Na eleição, teste "como votar", "pode levar" e "o que acontece se".

Gemini dentro do Trends: atalho, não fonte

Desde o início de 2026, a página Explorar tem um painel com Gemini que transforma um pedido em linguagem natural em até oito termos comparados num só gráfico, com sugestões de prompts para aprofundar, segundo o blog do Google. A lista de consultas em ascensão também dobrou: são 50 termos por assunto, contra 25 antes.

Como usar bem:

  1. Escreva um pedido objetivo: "seleções da Copa de 2026 mais buscadas". Na live, o Gemini montou oito seleções e o gráfico já mostrava o Brasil muito à frente e Inglaterra e EUA com índice zero naquela semana.
  2. Confira a lista que ele escolheu. Falta alguém relevante (o Marrocos, adversário da estreia)? Adicione manualmente.
  3. Mude local e período. Na Argentina, a seleção argentina teve oito vezes mais buscas que a brasileira em 90 dias.
  4. Avalie a resposta (polegar para cima ou para baixo) e, quando precisar de controle fino, volte à "página de descoberta clássica".

Cuidados:

  • O próprio Google classifica o recurso como experimental e diz que ele pode exibir informações imprecisas (Ajuda do Trends). O gráfico vem dos dados do Trends; a escolha dos termos vem do modelo.
  • Em temas eleitorais, a escolha dos termos pelo modelo pode deixar de fora candidaturas ou incluir umas e não outras. Se for comparar nomes, monte a lista você mesmo, com critério público e igual para todos (ver a seção de neutralidade).
  • Para perguntas sobre cidades específicas ("times mais buscados em Brusque"), não confie na resposta do Gemini. Faça a consulta no estado e leia a tabela por município.

Exemplos práticos para a redação

Cada linha abaixo é uma consulta pronta para testar. Os exemplos eleitorais são de serviço, processo e checagem; nenhum deles depende de nome de candidato.

Editoria

Pauta

Consulta e configuração

O que observar

Serviço eleitoral

Onde eu voto?

"local de votação", Brasil e por estado, últimos 30 dias

Pico esperado na semana da eleição; estados que começam a buscar antes

Serviço eleitoral

Documentos para votar

"documento para votar", "pode votar com CNH vencida"

Consultas em ascensão viram subtítulos de um FAQ

Serviço eleitoral

Ordem dos seis votos

"ordem de votação", "quantos números", "colinha"

Dúvida sobre os dois votos para senador

Serviço eleitoral

Justificativa

"justificar voto", "e-Título justificativa", semana da eleição e 60 dias depois

Segundo pico após o pleito; prazo final do 1º turno é 3 de dezembro

Serviço eleitoral

Celular na cabine

"pode levar celular para votar"

Regra: aparelho desligado e entregue ao mesário

Processo eleitoral

Segundo turno

"segundo turno" por estado, 4 a 25 de outubro

Onde há disputa estadual o interesse sobe primeiro

Processo eleitoral

Apuração

"resultado da apuração" e "boletim de urna", por hora, dia da eleição

Horário do pico orienta quando publicar e atualizar

Checagem

Boato sobre título ou urna

tema + "é verdade", "fake", "cancelado"

Se o boato aparece entre as consultas em ascensão, ele está circulando e merece checagem

Jornalismo local

Tema nacional com recorte local

tema quente + filtro de estado, tabela por município

Cidades com proporção acima da média do estado

Esporte

Copa do Mundo

assunto Copa do Mundo, mundo, 90 dias

Argentina 1º, Brasil 12º (dados da live, em maio)

Esporte

Países-sede

Copa do Mundo x3, locais México, EUA, Canadá

México 29, EUA 9: interesse três vezes maior

Saúde

Doença em alta

hantavírus x dengue x influenza, Brasil, 30 dias

Mudanças de liderança e estados com mais buscas

Economia

Calendário fiscal

"imposto de renda", 5 anos

Pico de março a maio, todo ano

Comportamento

Febre de consumo

Labubu (assunto) x Bobbie Goods (termo), 2025

Fenômeno global x fenômeno brasileiro

Cultura

Artista brasileiro no exterior

nome do artista, mundo, 12 meses

País inesperado no ranking, como funk na Ucrânia

Passo a passo: de uma dúvida a um explicador eleitoral

  1. Na aba Explorar, busque "como votar", Brasil, últimos 7 dias, Pesquisa na Web.
  2. Abra Em ascensão e anote as perguntas (por exemplo, sobre documentos, celular, ordem dos cargos).
  3. Responda cada uma com base na fonte oficial, como o Manual do Eleitor do TSE: documentos com foto (inclusive vencidos, se permitirem identificar), e-Título com foto, seis votos na ordem deputado federal, deputado estadual ou distrital, dois senadores, governador e presidente, colinha em papel permitida.
  4. Use as perguntas como intertítulos. Elas são, literalmente, o jeito como o leitor busca.
  5. Repita a consulta no dia seguinte e acrescente as dúvidas novas.

Passo a passo: checar se um boato está ganhando tração

  1. Isole o tema do boato ("título de eleitor", "urna", "biometria").
  2. Veja se o interesse pelo tema subiu fora do padrão nos últimos 7 dias.
  3. Procure o boato nas consultas em ascensão ou combine o tema com "é verdade" e "fake".
  4. Olhe os estados: um boato regional pede checagem com alcance regional.
  5. Informe o dado com cautela: "as buscas por X cresceram" não prova que as pessoas acreditam no boato, só que estão procurando.

Do dado ao SEO: como a busca vira texto encontrável

O Trends diz o que as pessoas querem saber e com quais palavras; o SEO editorial é responder a isso de forma clara e confiável. O Google pede conteúdo feito "principalmente para pessoas" e alerta contra escrever sobre algo "simplesmente porque parece estar em alta" (Search Central). Em eleição, que é tema sensível, confiança e precisão pesam ainda mais.

Seis práticas que funcionam:

  1. Use o vocabulário do leitor. Se as buscas são por "local de votação" e não por "seção eleitoral", o título e o primeiro parágrafo devem usar as duas expressões, a do leitor primeiro.
  2. Transforme consultas em intertítulos. As consultas relacionadas em ascensão são perguntas reais; responda cada uma logo abaixo, na primeira frase.
  3. Publique antes do pico. A série histórica de 2018 e 2022 mostra quando o interesse sobe. Conteúdo de serviço publicado dias antes tem tempo de ser rastreado e encontrado.
  4. Atualize em vez de duplicar. Um guia "Como votar em 2026" atualizado com data e hora da revisão vale mais que cinco notas parecidas. Deixe claro o que mudou.
  5. Escolha o formato pela fonte. Se o interesse no YouTube for alto, um vídeo curto explicativo pode ser mais útil que texto.
  6. Recorte local. Um tema nacional com recorte por estado ou cidade atende o leitor que busca com o nome da cidade junto.

Como citar o Trends na matéria:

  • "O interesse de busca por X no Google triplicou na última semana, segundo o Google Trends" — correto.
  • "X teve 300% mais buscas" — só se você calcular pela variação do índice e informar o período.
  • "Milhares de pessoas buscaram X" — só com os volumes da aba Em alta, que são faixas aproximadas.
  • Sempre informe local, período, fonte (Web, YouTube) e se usou termo ou assunto. Guarde print ou CSV com data e hora, porque a amostra pode variar.

Neutralidade: o que o dado de busca não autoriza a dizer

No período eleitoral, o Trends serve para informar o eleitor, não para medir força de candidaturas. Busca é curiosidade, dúvida ou reação, e um nome pode subir tanto por uma proposta quanto por uma polêmica, um erro de grafia ou um meme.

O que evitar:

  • Tratar interesse de busca como pesquisa. Pesquisas eleitorais precisam de registro na Justiça Eleitoral (sistema PesqEle) e, durante a campanha, enquetes sobre o processo eleitoral são proibidas (TSE, Lei 9.504/1997 e Resolução 23.600/2019). Um ranking de "quem lidera no Google" pode ser lido como um substituto de pesquisa. Na dúvida, consulte o jurídico do veículo.
  • Títulos de placar. "Candidato X dispara no Google" sugere vantagem eleitoral. Prefira descrever a dúvida: "buscas sobre a proposta de X para o transporte cresceram após o debate", com o contexto do que foi buscado.
  • Comparar só alguns nomes. Se a matéria comparar candidaturas, inclua todas as que disputam o cargo, ou use um critério público e informado (por exemplo, todos os participantes de um mesmo debate), com o mesmo período, a mesma fonte e o mesmo tipo de consulta (termo ou assunto) para todos.
  • Deixar o Gemini escolher os nomes. Monte a lista você mesmo, pelo critério acima.
  • SEO que associa nomes a termos negativos. Não otimize títulos, URLs ou metadados para colar um nome a uma acusação que o texto não sustenta, nem para "surfar" o nome de uma candidatura em conteúdo que não trata dela.
  • Conteúdo sintético sem aviso. A Resolução TSE 23.755/2026 reforça a rotulagem de conteúdo gerado ou modificado por IA na propaganda eleitoral (TSE). Mesmo quando a regra não se aplica diretamente à imprensa, ilustrações e textos feitos com IA devem ser identificados.

O que o dado permite, com segurança:

  • Mostrar quais dúvidas sobre o processo eleitoral cresceram e respondê-las.
  • Mostrar quais temas (saúde, segurança, emprego, transporte) o público buscou mais durante a campanha, sem atribuí-los a candidaturas.
  • Identificar boatos em circulação para checagem.
  • Comparar o comportamento de busca entre eleições (2018, 2022, 2026) sobre o mesmo tema de serviço.

Regra de bolso: se a conclusão do texto é quem está "na frente" ou "atrás", ele está lendo o Trends como pesquisa eleitoral.

Outras fontes para cruzar com o Trends

O Trends mostra a demanda; outras fontes mostram o contexto, a oferta de informação e os fatos oficiais. Nenhuma delas, sozinha, fecha uma reportagem.

Fonte

O que mostra

Como cruzar com o Trends

Google Search Console

As consultas reais que levaram leitores ao seu site, com cliques, impressões e posição

Se o Trends mostra alta de "local de votação" e o Console mostra impressões sem cliques, o título ou o conteúdo não está respondendo

Google Alertas

Aviso por e-mail quando um termo aparece em páginas e notícias

Complementa o Trends para clipping, sugestão da própria live

Feed RSS da aba Em alta

Tendências filtradas por país, estado e categoria

Alerta passivo para a mesa de política ou de serviço

Fato ou Boato (Justiça Eleitoral)

Esclarecimentos oficiais sobre boatos do processo eleitoral, reformulado para 2026 (TSE)

Boato em alta no Trends + resposta oficial = checagem rápida

Google Fact Check Explorer

Checagens já publicadas por veículos de verificação, buscáveis por alegação

Evita checar de novo o que já foi checado; ajuda a achar a origem

Calendário eleitoral do TSE

Prazos oficiais

Antecipa picos de busca: prazo de justificativa, segundo turno, diplomação

Portal de Dados Abertos e DivulgaCandContas (TSE)

Candidaturas registradas, bens, receitas e despesas

Base oficial para montar listas completas e isonômicas de candidaturas

Pageviews da Wikipédia

Visualizações de artigos da Wikipédia por dia e idioma

Segunda medida de interesse público, fora do Google, para confirmar uma tendência

Pesquisa do YouTube (no próprio Trends)

Interesse por vídeos

Mostra se a dúvida pede vídeo explicativo

Newsletter do Google Trends Brasil e Google News Initiative

Dados e treinamentos para redações

Pautas e recortes prontos em datas especiais

Sobre a API do Google Trends: foi lançada em versão inicial (alfa), com acesso concedido a poucos usuários, segundo a live. Vale acompanhar para automatizar monitoramentos no futuro.

Checklist antes de publicar

  • Usei assunto para comparações entre países ou idiomas e testei termo x assunto nos outros casos
  • Informei local, período, fonte (Web, YouTube, Notícias) e data da consulta
  • Tratei o índice como proporção, não como número de buscas
  • Guardei print ou CSV com data e hora
  • Conferi a lista de termos sugerida pelo Gemini e completei o que faltava
  • Descartei picos pequenos e isolados que podem ser ruído
  • Entendi o porquê do pico (painel lateral, notícias relacionadas, consultas em ascensão)
  • Em tema eleitoral: nada no texto ou no título sugere intenção de voto, liderança ou placar
  • Se comparei candidaturas: todas incluídas, ou critério público, com a mesma configuração para todas
  • Respostas de serviço conferidas na fonte oficial (TSE e TRE)
  • Título usa o vocabulário do leitor sem prometer o que o texto não entrega

Erros comuns: comparar "Copa do Mundo" (termo) entre países; dizer que "20 mil pessoas buscaram" com dado da aba Explorar; concluir que um tema "perdeu interesse" sem olhar a série de anos anteriores; confiar numa cidade pequena que aparece com índice alto por poucas buscas; publicar ranking de nomes de candidatos como se fosse termômetro eleitoral.

Fontes

Este guia tem caráter informativo e não é orientação jurídica; dúvidas sobre legislação eleitoral devem ir ao jurídico do veículo ou à Justiça Eleitoral.